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25.4.07 20:11 5v

Eternamente...

 

A brisa acariciou meu rosto e me fez afastar uma mecha de cabelo dos olhos.

Havia poeira naquela brisa, mas ela estava ao chão, com as folhas secas que rodopiavam.

O céu era nublado e portanto cinzento, mas através de uma falha nas nuvens brilhava um raio de sol, atravessando a paisagem à minha frente. Um raio de sol de cenas bíblicas, aquele visível, onde partículas dançam diante dos seus olhos destacando a faixa ensolarada.

O raio de sol terminava nos teus olhos.

Não deve ter sido bem assim, deve ser a idealização daquele momento que me faz pensar desta forma. Não importa, pois eu lembro dos teus olhos ainda mais claros com a luz, uma faixa destacada da tua pele negra, brilhando quente e firme, emoldurando o verde selvagem que deveriam ser janelas para tua alma, mas para mim eram poços de mistérios, questões e desespero.

Recordo-me do teu caminhar gingado, rebolante sem ser vulgar, do teu olhar firme vindo em minha direção. Os lábios explodindo em promessas de palavras fortes, momentos inesquecíveis com desejos saciados.

Olhando você vir até mim, quase senti o calor em teus braços e o sabor do teu seio, a maciez das tuas curvas e a firmeza doce da tua pele. Sentia que podia te devorar para te possuir, devorar você para então conter seus segredos, suas revelações, para realizar em mim as promessas todas que você fazia e não cumpria.

Eu quase sentia em meus lábios o chocolate do teu corpo. Quase sentia-me cheio, estufado dos teus mistérios, como se eu não pudesse conter você em mim... imagino-me tão tomado por você, cada célula minha explodindo com a tua essência. Tudo fica claro, então, vejo que jamais poderei compreender, sentir, realmente ser um com você.

É óbvio que não aguentaria, não suportaria a enormidade do teu ser, o modo como você ocupa os espaços sem realmente estar neles e como projeta a você mesma sobre as pessoas, sobre suas personalidades, deixando que elas brilhem mas mostrando o teu brilho de forma única e inconfundível.

Então me esvazio de você, como se eu fosse um balão. Ainda te vejo caminhar até mim, mas sumindo, como uma ilusão, um efeito de cinema, uma neblina ou um véu que cobre meus olhos. E sei, sei que na realidade sou eu, eu que não vou mais ver, sentir, beijar e morder, lamber e penetrar, sorrir e amar. Pela eternidade vou ver você sumindo enquanto, novamente, a brisa acaricia meu rosto...

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2 comentários no momento:

afff
por: Anonymous Anônimo @ 21/09/07 09:52  


ola como esta?
por: Blogger josesacramento @ 30/09/07 17:15  



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